
O entorno do ministro André Mendonça esperava uma reta final de campanha mais tranquila no Supremo Tribunal Federal, mas uma nova disputa entre ministros mudou esse cenário. A tensão começou quando Mendonça determinou a remoção de conteúdos que associavam a imagem de Nossa Senhora a Flávio Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, porém, derrubou a decisão do colega, o que surpreendeu pessoas próximas a Mendonça.
Segundo apuração da Jovem Pan, auxiliares do ministro, que também é vice-presidente do TSE, acreditavam que a proximidade das eleições favoreceria uma redução dos atritos. A sequência de decisões e ofícios no STF contrariou essa expectativa.
Nos bastidores, chama atenção a forma como petições sobre questões eleitorais estão sendo apresentadas: dentro de ações que já tramitam no STF e já têm relator definido, em vez da abertura de novos processos. Isso tem surpreendido integrantes mais antigos da corte.
Interlocutores ouvidos pela Jovem Pan lembram que Mendonça e Nunes Marques também mandaram retirar publicações que associavam o presidente Lula a facções criminosas ou que continham ataques à sua honra. Na avaliação dos auxiliares, aquelas decisões não mobilizaram a militância nem tiveram repercussão parecida com a do caso Nossa Senhora.
Pessoas próximas aos magistrados sustentam que, embora a publicação do ator mencionasse milicianos sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, o contexto permite a associação ao candidato, como parte de uma sequência de críticas à família Bolsonaro e tentativas de vinculá-lo às milícias do Rio de Janeiro.
A discussão prevista para a quarta-feira (30) não deve ocorrer. O presidente do STF, Edson Fachin, sondou os colegas e identificou falta de ambiente para debater o tema antes do domingo de eleições, dia 4 de outubro.
Fonte: Jovem Pan




