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Notícias/NEWS26/09/2026· KF News

ONU documenta 1.004 casos de violência sexual na Ucrânia e atribui 89% à Rússia

Foto: Divulgação/Poder360

Um relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU, publicado em 18 de setembro de 2026, documentou 1.004 casos de violência sexual na Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em 24 de fevereiro de 2022, até o final de julho deste ano. O documento descreve o que chama de "um padrão chocante de tortura, intimidação e coerção".

Do total de casos registrados, 89% foram atribuídos a autoridades russas, incluindo membros das forças armadas, do serviço penitenciário e do serviço de segurança nacional. Os outros 11% foram atribuídos a autoridades ucranianas. O relatório foi elaborado com base em entrevistas com centenas de vítimas e sobreviventes, além de documentos judiciais e registros oficiais.

A maioria das vítimas é composta por homens, especialmente em locais de detenção, mas mulheres e crianças também foram afetadas, principalmente nos territórios ocupados. Os crimes documentados incluem estupro coletivo, mutilação genital, choques elétricos e espancamentos nos genitais. Em pelo menos 27% dos casos contra prisioneiros de guerra ucranianos e profissionais de saúde detidos, foi usado um telefone militar da era soviética chamado "tapik" para aplicar choques elétricos nos genitais.

A vítima mais jovem registrada foi uma menina de 4 anos e a mais velha, uma mulher de 82 anos — ambos os casos atribuídos a autoridades russas. Relatos individuais incluem estupros com cassetetes, chaves de celas e cabos de pá. Uma mulher em Zaporizhzhia relatou ter sido estuprada várias vezes por semana durante um mês por um soldado russo que morava em sua casa. Outra, em Kherson, disse ter sido estuprada todas as noites por um soldado russo que também a ameaçava com estupro coletivo. Uma terceira relatou ter sido estuprada coletivamente por 2 soldados russos na região de Kyiv, em 2022, após eles matarem seu marido, com ameaças de atirar nela na frente de seu filho de 4 anos.

Entre os casos atribuídos a autoridades ucranianas, quase metade consistiu em ameaças de violência sexual contra prisioneiros de guerra russos. Os demais envolveram nudez forçada, choques elétricos, espancamentos, tratamento sexualmente degradante, além de duas agressões sexuais e duas tentativas de estupro.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse estar "profundamente alarmado" e afirmou que é quase certo que as práticas continuam. Ele pediu que ambos os lados investiguem as denúncias e levem os responsáveis à justiça, e reiterou o apelo para que a Rússia retire todas as suas forças militares do território ucraniano.

Fonte: Poder360