
O gabinete do ministro André Mendonça, do STF, afirmou que a forma como os dados do caso Master foram disponibilizados comprometeu diligências e esvaziou a possibilidade de acessar outras provas da investigação. A nota foi enviada à Folha e diz que o acesso às mídias "antecipou o conhecimento público sobre elementos de informações que nem mesmo a autoridade policial conseguiu ainda analisar", o que foi considerado contraproducente para eventuais investigações futuras.
O caso gira em torno da petição 16.662, que reúne um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com referências ao ministro Alexandre de Moraes. Na preparação do julgamento, outros ministros cobraram acesso à íntegra dos dados que embasaram o documento.
Em 10 e 11 de setembro, Mendonça retirou o sigilo de processos do caso Master, mas não liberou a íntegra da extração do celular de Vorcaro. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram então os dados diretamente à PF, que entregou cópias em 14 de setembro, com sigilo preservado. Mendonça e Luiz Fux receberam os arquivos em 17 de setembro.
Em julho, Mendonça havia considerado "imprescindível" acessar arquivos brutos da investigação, inclusive os ainda não analisados pela PF. O gabinete explicou que as duas situações correspondem a estágios distintos dos procedimentos e que nenhuma mídia recebida pela PF foi acessada — todas permanecem criptografadas e lacradas.
Em 19 de setembro, dois dias após receberem os arquivos, Mendonça e Fux informaram à PF que não conseguiram acessar efetivamente o conteúdo e pediram ajuda técnica para superar os obstáculos e verificar a integridade do material.
Fonte: Jornal de Brasília




