
Funcionários da Caixa Econômica Federal estão em greve nacional desde 10 de setembro, e o principal motivo é o plano de saúde da empresa, o Saúde Caixa. Os bancários reclamam de cobranças indevidas, reajustes altos e falta de transparência nas faturas e nos reembolsos. A negociação travou e foi parar no TST (Tribunal Superior do Trabalho), que julga o dissídio coletivo nesta terça-feira (29).
Entre as queixas está um possível reajuste de 60% na consulta de pronto-atendimento, que subiria de R$ 75 para R$ 120. Trabalhadores como Matheus Crespo, técnico bancário de Natal (RN), relatam que os gastos com o plano dobraram após uma lesão e que muitos colegas chegam a deixar tratamentos de lado por causa do custo alto. Ele aponta ainda falta de especialistas: segundo Crespo, Natal ficou três anos sem urologista no Rio Grande do Norte inteiro, problema resolvido só no ano passado.
O diretor sindical Frederico Cruz dos Santos, de Bauru (SP), diz que a Caixa reembolsa R$ 50 em consultas que custam R$ 500, e que as filas na rede credenciada chegam a três meses de espera, obrigando o trabalhador a pagar do próprio bolso. Ele e outros bancários relatam também cobranças por materiais que não foram usados — como caixas de agulha, luva e seringa por uma única injeção.
A bancária Júlia Eberhardt, do Rio de Janeiro, cita casos de cobrança de duas ou três internações indevidas e materiais como rolos de esparadrapo que não foram utilizados. Documentos obtidos pela reportagem mostram uma cobrança de R$ 633,30 em esparadrapo após um curativo simples — valor contestado e revertido — e uma tomografia de R$ 705,42 que veio acompanhada de R$ 1.913,75 em materiais e R$ 877,45 em medicação, totalizando R$ 3.496,62.
Os bancários contestam ainda a cobrança de uma 13ª mensalidade anual, instituída em acordo coletivo de 2023 e em vigor desde 2024, que eles dizem não existir em nenhum outro plano do mercado. Eberhardt acusa a Caixa de ter desmontado a área interna que auditava os gastos do plano. Santos defende uma auditoria externa independente. A Caixa afirma que apura todas as denúncias, disponibiliza informações pelo aplicativo Saúde Caixa e publica balanços mensais com a discriminação dos gastos.
Fonte: Jornal de Brasília




