
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comprou R$ 451,3 milhões em precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro que pertenciam ao escritório da advogada Dalide Corrêa. Esses precatórios vieram de uma ação da empresa Una Agroindustrial contra a União, pelos prejuízos causados pelo congelamento de preços do açúcar e do álcool entre 1985 e 1992. O escritório de Dalide tinha direito a 30% do valor da vitória judicial, o que resultou nos R$ 451,3 milhões em precatórios.
Os papéis perderam valor em junho de 2022, quando o TRF-1 suspendeu a decisão que garantia o pagamento. No dia seguinte à suspensão, o escritório vendeu os precatórios para o fundo SSA FIDC, ligado à Reag. Quando Vorcaro comprou os papéis, em 30 de março de 2024, eles valiam ainda menos: uma decisão da 6ª Vara Federal Cível do DF havia cancelado todos os precatórios da ação e determinado a devolução de R$ 1,531 bilhão ao Tesouro Nacional.
Ainda assim, três dias após a compra, Vorcaro entrou na Justiça pedindo que a Receita Federal fosse obrigada a aceitar os papéis para pagar uma dívida de mais de R$ 210 milhões de Imposto de Renda Pessoa Física. A Receita recusou, apontando que o crédito não era líquido nem certo e não tinha decisão judicial transitada em julgado. O caso ainda não foi julgado. Segundo a reportagem, Vorcaro usava precatórios sem liquidez para inflar os balanços do Master e movimentar bilhões para sua holding patrimonial nas Ilhas Cayman.
Fonte: Metropoles




