
Uma pesquisa inédita feita pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest revelou que oito em cada dez brasileiros são contra a discussão de temas eleitorais dentro de igrejas e templos religiosos. Esse sentimento é compartilhado de forma equilibrada entre católicos e evangélicos. O estudo faz parte da série de reportagens "Fiel da balança", da Folha de S.Paulo, e ouviu 15 mil pessoas em todo o Brasil.
A rejeição é ainda maior quando o assunto é a presença de candidatos dentro dos espaços religiosos: nove em cada dez entrevistados se posicionam contra isso. Ainda assim, a pesquisa registrou que pastores tentaram orientar o voto de fiéis. Onze por cento dos consultados afirmaram ter recebido indicação para votar em Jair Bolsonaro em 2022, enquanto 5% relataram ter sido direcionados a Luiz Inácio Lula da Silva.
Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa, a influência política no ambiente religioso não funciona no esquema de "pastor manda e fiel obedece". Segundo ela, os evangélicos aparecem mais engajados religiosamente do que outros grupos, e a igreja age como uma rede de confiança onde informações circulam, inclusive por grupos de WhatsApp.
O levantamento também aponta que, entre os fiéis que participam de comunidades religiosas nas redes sociais, 48% veem posts políticos com frequência no Facebook e 34% no WhatsApp. Já a pesquisadora Brenda Carranza observa que a atuação política nas igrejas está cada vez mais focada em pautas de valores morais e identitárias, e menos em indicações diretas de candidatos. O estudo ainda aponta que alguns membros chegaram a se desligar de suas igrejas por causa da politização dos espaços religiosos.
Fonte: Folha Gospel
