
O IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, bem abaixo dos 0,70% registrados em setembro. Mesmo assim, o acumulado em 12 meses avançou de 4,47% para 4,62%, ficando acima do teto de tolerância da meta de inflação, que é de 4,5%. A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, avalia que a inflação dos serviços subjacentes — que excluem itens voláteis como passagens aéreas — acumula alta de 5,5% em 12 meses, pressionada pelo mercado de trabalho aquecido, e representa um dos principais obstáculos para o Banco Central trazer a inflação de volta à meta de 3%.
O resultado de outubro veio melhor do que o esperado: o C6 Bank projetava alta de 0,40% e o mercado esperava 0,44%. A principal surpresa positiva veio das passagens aéreas, que recuaram 9,24%. Por outro lado, a alimentação em casa subiu 1,01%, acima dos 0,38% de setembro, impactada pelas fortes chuvas que afetaram a produção de alimentos. A energia elétrica caiu 0,89% com a entrada em vigor da bandeira tarifária verde.
Entre os serviços que subiram no mês, o destaque foi cinema, teatro e concertos, com alta de 4,30%, seguido por pacote turístico (2,18%), empregado doméstico (0,62%) e refeição fora de casa (0,61%). O grupo de despesas pessoais avançou 0,55%.
O C6 Bank manteve a projeção de inflação em 5% para o fechamento de 2026 e a Selic em 13,75% ao ano até dezembro. Moreno não descarta mais um corte de juros ainda em 2026, mas avalia que o Copom precisa manter cautela. André Matos, CEO da MA7 Capital, afirma que a queda da inflação precisa ser acompanhada de maior confiança na política fiscal para que o Brasil consiga reduzir os juros de forma sustentada. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, e Gustavo Assis, CEO da Asset, também apontam que a credibilidade fiscal será determinante para a trajetória da Selic nos próximos anos.
Fonte: Poder360




