
Um estudo do University College London, publicado na revista Nature Cell Biology, revelou um mecanismo novo que ajuda as primeiras células de defesa do embrião a se espalhar pelo corpo. Essas células nascem num ponto específico e precisam chegar a todos os outros lugares. A descoberta é que elas fazem isso sentindo o movimento do tecido ao redor e passando a caminhar na mesma direção.
Os pesquisadores trabalharam com embriões da rã africana Xenopus laevis, muito usada em laboratório por ter embriões grandes e transparentes o suficiente para serem observados ao vivo. Eles retiraram um pedaço de tecido da região onde nascem as células de defesa e acompanharam o movimento delas debaixo de microscópio com câmeras registrando a cada poucos minutos.
Nos testes, quando as células de defesa ficavam sozinhas, sem o tecido ao redor, elas se arredondavam e andavam sem rumo. No meio do tecido em movimento, ficavam alongadas e caminhavam em linhas muito mais retas. A equipe bloqueou os sinais químicos que normalmente guiam essas células de várias formas, incluindo impedir a detecção de sinais químicos e até fazer o líquido da placa correr para levar embora qualquer substância liberada. Em nenhum desses testes as células perderam a direção de forma importante.
O que mudou o comportamento foi frear o movimento do tecido. Quando os cientistas dificultaram a expansão da camada externa, as células de defesa passaram a andar de forma mais confusa. Em testes com o embrião inteiro, quando o crescimento foi bloqueado por alteração genética, os embriões ficaram menores e tinham menos células de defesa espalhadas. Ao serem soltos de moldes que impediam o crescimento, os embriões voltaram a crescer e as células retomaram a caminhada.
Os pesquisadores ainda não identificaram exatamente como a célula percebe o movimento do vizinho e trabalham com duas hipóteses: atrito entre as superfícies das células, que pode alterar o esqueleto interno da célula, ou moléculas específicas capazes de captar a força de puxão do tecido. O pesquisador Hoang Anh Le, primeiro autor do artigo, ressalta que sinais mecânicos e químicos atuam juntos, e que o achado pode ter relevância futura na cicatrização de feridas, hipótese que ainda precisa ser testada.
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